Os feijões

A tarefa poderia acontecer a qualquer hora, mas, para atingir as qualidades do ritual, aí sim, havia uma hora precisa. Era por volta das 9h da manhã. Ana despejava os feijões em cima da toalha encerada da mesa da cozinha, aquela toalha toda colorida. Daí, os olhos escrutinadores e os dedos ágeis começavam a trabalhar. … Continue lendo

O bilhete

Sala de aula é lugar pra muita coisa: aprender, ensinar, conhecer, brigar, namorar, descobrir, rir, chorar… E, pessoalmente, acho que vêm das salas de aulas muitas das minhas melhores lembranças. E alguns dos meus melhores amigos, como a pessoa que me inspira a escrever esta nota. Porque sala de aula também é lugar de bilhetinhos. … Continue lendo

Vamos ocupar a democracia!

Acho terríveis essas hostilidades que estão rolando no contexto dos protestos no Brasil. Todas elas. E penso que devemos mesmo nos preocupar com manipulações políticas oportunistas que possam querer se aproveitar da situação. Afinal, estamos – e quem não está? – em um processo contínuo de amadurecimento político e democrático. Porém, acho que precisamos ler … Continue lendo

O vandalismo nosso de cada dia

Eu vou correr o risco de ser mal interpretada neste texto. Mas, em solidariedade a todos os meus compatriotas que estão correndo esse mesmo risco e sendo chamados de vândalos nas ruas de São Paulo, aqui vou eu. Duas perspectivas, pelo menos, me chamam a atenção com mais curiosidade na cobertura jornalística e nos comentários … Continue lendo

Alma de jacu

Toda vez que eu viajo de avião, a maneira como as pessoas se comportam me leva a crer, com uma certeza crescente, que compartilhamos todos da alma de jacu. Lá, na minha terra natal, Ponta Grossa, jacu é como a gente chama o sujeito sem noção: veste-se de modo inapropriado, diz o que não deveria … Continue lendo

Sobre o Feliciano e a imposição do porte do véu

Uma das experiências mais fortes de minha instalação em Bruxelas foi, na verdade, o contato com uma cultura não europeia. Eu vivo em um “bairro” chamado Schaerbeek, onde uma enorme comunidade árabe e muçulmana está instalada. Para se ter ideia da intensidade da presença dessa população nesta zona da cidade, vou contar um exemplo. Nas … Continue lendo

O sujeito da porta ao lado

Era uma manhã de quarta-feira como outra qualquer. O homem saiu de seu apartamento, mas alguns minutos depois, estava de volta. Expressão nervosa, uma ruga de tensão no rosto. – Alguém entrou na despensa, venha ver – ele chama sua esposa, enquanto procura a câmera. Toda manhã, ele vai até à despensa, que fica no … Continue lendo

Celui qui habite juste à côté

Il était un mercredi matin comme n’importe quel. Le bonhomme est sorti de son appartement, mais quelques minutes après, il était de retour. L’air nerveux, le visage tendu. – Quelqu’un est rentré dans notre cave ; viens voir – il convoque sa femme, pendant qu’il cherche l’appareil photo. Comme tous les matins, il a passé par … Continue lendo

Carta a José Saramago – Parte 4: Évora

“Eu vou estar te contando a penúltima parte da viagem que estivemos fazendo em Portugal.” “A gente ia andando, passeando, conversando, enquanto ia vendo os lugares novos, falando com as pessoas e provando a culinária local.” Estou te incomodando porque estou usando muito gerúndio? Se você quer reclamar, vá para Évora! José, que descoberta! Nossa … Continue lendo