
Domingo de sol. Agosto. Boa parte dos turistas que visitam Madri tem um destino comum: a feira popular El Rastro, que alguns guias apresentam como um dos maiores mercados a céu aberto no mundo. Eu fui pra lá também. Desfrutei da visita, porque adoro feiras populares, mas, sinceramente, é bem menos do que diz a propaganda.
A ladeira da Ribera de Curtidores fica tomada por barraquinhas, de um lado e do outro da rua, e por algumas vielas paralelas também. Não vi frutas nem verduras. Fora isso, tinha de tudo um pouco: utilidades domésticas, antiguidades, roupa usada e roupa nova, sapatos, artigos em couro e os produtos “típicos” da Espanha, como leques, lenços e castanholas de dança flamenca. E, sim, as aspas em típicos são intencionais, porque a peça até pode ser própria da cultura espanhola, mas o que mais se via eram etiquetas de “made in China”, “made in India”, etc.
Fiquei desapontada. Cheguei a ver bancas com cartazes indicando “artesanía local” e, quando ia olhar o produto mais de perto, lá estava a etiquetinha da importação asiática. Lembrei de um comentário que vi, recentemente, sobre a deprimente invasão dos biquínis “made in China” nas praias brasileiras. Não gostei nada, nem de um caso nem de outro.
Ao final da peregrinação para encontrar alguma coisa genuinamente espanhola, tive boas recompensas. Não na feira propriamente dita, mas em seus arredores. Almocei no El Madroño, um restaurante-petisqueria com fachada decorada por azulejos pintados, como dizem ser tradicional na cidade, e comprei minha sobremesa em Caramelos Paco, um paraíso do açúcar, com balas e chocolates nos formatos mais variados e coloridos que se possa imaginar.
Publicado em agosto 15, 2011
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