De museu em museu, em Madri

Publicado em agosto 15, 2011

0


Uma das fachadas do Prado, com a estátua de Velazquez

Meu Deus, como faz calor nesta capital espanhola! Fácil, fácil, os termômetros marcam mais de 20 graus já de manhã. À tarde, chegam aos 37. Minha sorte: museus são muito bem refrigerados!

Há três dias na cidade, visitei três deles: Museu de Belas Artes, Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia e, como não poderia faltar, Museu del Prado. A lista só não aumentou, ainda, porque hoje é segunda-feira e feriado, soma que resulta em tudo fechado.

A primeira boa impressão é que Madri tem muitos museus e os preços são realmente acessíveis. Mais, praticamente todos eles têm dias ou horários em que se pode entrar gratuitamente. Nada melhor do que pagar pouco para ver grandes obras e para conhecer um pouco mais sobre a história e a cultura de um país.

Entre um museu e outro, vi várias fases do trabalho de Goya. Impressiona a série de “pinturas negras” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pinturas_negras), cheia de dramatismo e crítica social – o quadro de Saturno devorando seu filho é chocante e transmite o sentimento do uso extremo do poder com a finalidade de mantê-lo. Ao mesmo tempo em que eu queria ver os detalhes, queria logo sair da frente dessa imagem.

Adorei os Velasquez! O quadro das Meninas é fantástico, rico em detalhes. Particularmente, adorei os Borrachos (http://es.wikipedia.org/wiki/El_triunfo_de_Baco_(Vel%C3%A1zquez)), com Baco coroando a alegria dos bêbados sorridentes com seus copos de vinho. Dá vontade de erguer uma taça e dizer “tim-tim”.

No Reina Sofia, descobri artistas interessantes, dos quais nunca tinha ouvido falar. Gostei muito de uma escultura de Pablo Gargallo, em que ele retrata um profeta, e também apreciei com satisfação a coleção de noucentismo, um movimento que não conhecia. Esperava mais das obras que retratam a guerra – talvez porque eu considerava essa uma das boas alternativas para substituir o percurso que queria fazer pelo Museu de História, que guarda os registros da política espanhola no decorrer do tempo, mas que está fechado para reformas.

Ah, não posso deixar de mencionar o Guernica, de Picasso (http://pt.wikipedia.org/wiki/Guernica_(quadro)), enorme, grandioso. Eu não sou fanática pelo cubismo, mas não dá para ficar indiferente a essa obra. Diante dela também se sente o terror da guerra e, ali, ao pé do quadro, dá para observar detalhes impressionantes que o pintor registrou em cada personagem. Parece que se ouve o choro da mãe com o filho morto em seus braços.

Francamente, eu me sinto leviana fazendo uma descrição assim, tão superficial de obras tão magníficas que vi nestes dias – fico contente que o José Augusto Leandro, meu professor de História da Arte da época da faculdade, não deve ler este texto. Acho que o que eu quero dizer, resumidamente, é que estou feliz por estar em uma cidade com tantos museus de tamanha qualidade e com uma política de preços acessíveis a esses espaços. Viva!

Etiquetado:, , ,